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16/03/2026Colegiado de Agricultura alinha estratégias para o controle biológico do mosquito borrachudo e ações para combater a crise enfrentada pelos produtores de leite
Chapecó/SC – Secretários de Agricultura e representantes dos 20 municípios que integram a Associação dos Municípios do Oeste de Santa Catarina (AMOSC) participaram, na última quinta-feira (12), de uma reunião ordinária do Colegiado de Agricultura. Realizado na sede da entidade em Chapecó, o encontro pautou temas críticos para a economia regional, com destaque para a mobilização frente à crise do setor leiteiro e o aprimoramento do programa de controle biológico do mosquito borrachudo.
A assembleia contou com a presença do vice-presidente da AMOSC e prefeito de Nova Itaberaba, Marciano Mauro Pagliarini; do prefeito de Lajeado Grande, Anderson Bianchi, representando a Associação dos Municípios do Alto Irani (AMAI); e do ex-secretário de Agricultura de Pinhalzinho e ex-coordenador do colegiado, Honorino Dallapossa, que contribuiu com sua trajetória de atuação no setor agrícola regional.
Enfrentamento à crise do leite: união e estratégia
Diante de um cenário de instabilidade provocado por fatores climáticos, especulação de mercado e a importação de leite em pó, a AMOSC reafirmou seu papel de articuladora de ações para tratar da crise que atinge a bacia leiteira do Grande Oeste. O movimento articula diversas associações de municípios — como AMEOSC, AMERIOS, AMNOROESTE e AMAI — na busca por soluções estruturais e pressão política junto às esferas governamentais.
O vice-presidente Marciano Mauro Pagliarini enfatizou que a superação da crise exige um associativismo mais incisivo. “As entidades precisam atuar de forma constante na proteção do setor, e o produtor deve participar ativamente dos movimentos representativos, não apenas nos momentos de dificuldade”, destacou.
O prefeito de Lajeado Grande, Anderson Bianchi, apontou os fatores que têm desestabilizado os produtores, como as condições climáticas adversas e a entrada de produtos estrangeiros, que afetam diretamente a rentabilidade local. Bianchi defendeu a organização do setor de forma associativista para estabelecer negociações mais sólidas com as lideranças governamentais. “Precisamos nos unir para discutir o setor e buscar soluções que melhorem as condições de produção do leite para os produtores”, afirmou.
Como encaminhamento, ficou deliberada a elaboração de documentos a serem enviados aos governos federal e estadual, pleiteando medidas de proteção à produção nacional e regional. A proposta é envolver as associações de municípios e as secretarias de agricultura na criação de núcleos de produtores por região ou município, fortalecendo a capacidade de articulação política da categoria.
Comissão provisória e mobilização local
O coordenador do Colegiado de Agricultura da AMOSC, Mauro Zandavalli, apresentou um panorama das entidades representativas do setor, apontando a necessidade de uma atuação mais tempestiva. Como deliberação, os secretários de agricultura ficaram incumbidos de indicar dois produtores por município para a constituição de uma Comissão Provisória, que terá a missão de discutir e agir em torno da crise do leite. A previsão é que o primeiro encontro do grupo ocorra em maio, com o objetivo de trabalhar também na criação de uma associação ou conselho regional de produtores de leite.
Honorino Dallapossa reforçou a importância de movimentos sindicais independentes da indústria para garantir maior força de negociação aos produtores. Ele lembrou que este é um desafio enfrentado há décadas pela região Oeste e que ainda não encontrou uma solução concreta para a valorização e fortalecimento dos produtores de leite.
Consumo na merenda escolar como estratégia de fortalecimento
Em paralelo às ações políticas, as associações estão promovendo ações de estímulo ao consumo de leite e derivados. O Colegiado de Educação da AMOSC deverá articular com os nutricionistas dos municípios formas de ampliar a presença de lácteos na merenda escolar. As redes municipais de ensino da AMOSC somam mais de 40 mil crianças, o que pode representar uma contribuição significativa para o escoamento da produção e a valorização do produto local.
Sanidade rural: controle do mosquito borrachudo
Outro ponto central da pauta foi a apresentação sobre o Programa Estadual de Controle Biológico de Mosquitos Borrachudos. O engenheiro agrônomo Ricardo Urbancic detalhou o ciclo de reprodução do mosquito, que ocorre em cursos d’água com matéria orgânica, e os prejuízos que causa à saúde pública, ao turismo e à produtividade agropecuária.
Urbancic explicou que o larvicida biológico utilizado é seguro e aprovado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mas ressaltou que a eficácia do programa depende de dois fatores: a capacitação dos técnicos municipais para a aplicação correta, por meio da Epagri, e a continuidade ininterrupta do controle para combater a praga ainda na fase de larva.
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